O poder do “não”, por Dmitri Orlov

26/7/2016, Dmitri Orlov, Club Orlov

[ru. НеT, “nyet“]

“Ainda hoje sou capaz de visualizá-lo – palidamente limpo, tristemente respeitável, incuravelmente pobre! Era Bartleby. (…) Imagine minha surpresa, ou melhor, minha consternação, quando, sem se mover de sua privacidade, Bartleby respondeu num tom de voz singularmente suave e firme: – ‘Prefiro não fazer’. (…) – ‘Prefere não fazer?!’ – repeti, levantando-me alterado e cruzando a sala a passos largos. ‘O que você quer dizer com isso? Você está maluco? Quero que você me ajude a comparar esta folha aqui, tome, empurrei o papel em sua direção. É uma ordem.’ – ‘Prefiro não fazer’ – disse.” (p. 15-18) 
MELVILLE, Hermann
 [1819-1981], Bartleby, o Escrevente – Uma história de Wall Street e Outras Histórias, pp. 7-53, trad. Cassia Zanon, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, s/d inhttps://leidsoncvsenac.files.wordpress.com/2009/12/miololivro.pdf *

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

Putin: “Oh, coitado desse idiota. Não é capaz de compreender que vamos dizer ‘nyet’ outra vez.”
Nesse mundo, supõe-se que as coisas funcionem do seguinte modo: nos EUA, as estruturas do poder (públicas e privadas) decidem o que querem que o resto do mundo faça. Comunicam seus desejos por canais oficiais e não oficiais, contando com cooperação automática. Se a cooperação não acontece imediatamente, aplicam pressões políticas, financeiras e econômicas. Se ainda assim não se produz o efeito desejado, tentam mudança de regime mediante revolução colorida ou golpe militar, ou organizam uma insurgência que leve a ataques terroristas e guerra civil na nação recalcitrante. Se nem isso funciona, bombardeiam o país até mandá-lo de volta à idade da pedra. Foi assim que sempre funcionou nos anos 1990s e 2000s. Recentemente porém, uma nova dinâmica emergiu.
De início era centrada na Rússia, mas o fenômeno em seguida espalhou-se pelo mundo e, agora, acaba de engolir os próprios EUA. Funciona do seguinte modo: os EUA decidem o que querem que a Rússia faça e comunicam seus desejos, contando com automática cooperação. A Rússia responde “Nyet.” Os EUA imediatamente recorrem aos passos acima relacionados, mas sem a campanha de bombardeamento, antes de cujo início são contidos pela ferramenta de contenção nuclear da Rússia. A resposta continua: “Nyet.” Poder-se-ia imaginar talvez que alguém inteligente dentro da estrutura de poder dos EUA refletiria e diria: “Consideradas as evidências que temos à vista, dar ordens à Rússia não funciona; tentemos negociar de boa-fé, em termos de igualdade, quem sabe?” E todos os demais batem na testa e dizem “Uau! Brilhante! Por que não pensamos nisso?!” Mas, não. A pessoa que pensou antes dos demais será demitida no mesmo dia, porque, sacomé, a hegemonia norte-americana global não é negociável. Assim sendo, o que acontece é que os norte-americanos se irritam, reagrupam-se e tentam outra vez, com o que oferecem ao mundo espetáculo engraçadíssimo.
Todo o imbróglio Edward Snowden foi especialmente engraçado de ver. Os EUA exigiram a extradição. Os russos disseram “Nyet, nossa Constituição russa nos impede.” E então, hilárias, algumas vozes no ocidente puseram-se a exigir (sic) que a Rússia alterasse a própria Constituição! A resposta, que dispensa tradução, foi “Quá-quá-rá-quá-quá“.
Menos engraçado é o impasse em torno da Síria: os norte-americanos só fazem exigir, sem parar, que a Rússia vá adiante com o plano dos EUA para derrubar Bashar Assad. A imutável resposta russa é: “Nyet, os sírios decidirão quem os governará, não Rússia e não EUA.” Cada vez que ouvem essa resposta, os norte-americanos fazem cara de quem não consegue entender, coçam a cabeça e… fazem tudo outra vez.
Recentemente, John Kerry esteve em Moscou, numa “sessão de negociação” maratona com Putin e Lavrov. Acima, na abertura, há uma foto de Kerry em conversa com Putin e Lavrov em Moscou, há uma semana mais ou menos, e é impossível não ler o que dizem as respectivas expressões faciais. Lá está Kerry, de costas para a câmera, dizendo aquelas bobagens de sempre. O rosto de Lavrov diz claramente “Não acredito que eu tenha de ficar aqui sentado e ouvir todo esse bobajol outra vez…” O rosto de Putin diz: “Oh, coitado desse idiota. Não é capaz de compreender que vamos dizer ‘nyet’ outra vez.” Kerry voou para casa com mais um “nyet.”
Pior ainda, outros países estão agora começando também a entrar na mesma ação. Os norte-americanos disseram aos britânicos exatamente como queriam que votassem; os britânicos disseram “nyet” e votaram pelo Brexit. Os norte-americanos disseram aos europeus que eram obrigados a aceitar a horrenda dominação pelo poder das grandes empresas chamada hoje de Parceria Trans-Atlântico de Comércio e Investimento [ing. Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP)], e os franceses disseram “nyet, não será aprovada.” Os EUA organizaram mais um golpe militar na Turquia para substituir Erdoǧan por alguém que não daria mole à Rússia, e os turcos disseram também “nyet” a mais essa ideia.
E agora, horror dos horrores, lá está Donald Trump dizendo “nyet” ao diabo vezes quatro – à OTAN, à deslocalização dos empregos dos norte-americanos, a deixar entrar uma inundação de migrantes, à globalização, às armas para nazistas ucranianos, ao livre comércio…
O efeito psicológico corrosivo de tantos “nyet” na psique hegemonista norte-americana não pode ser subestimado. Se todos esperam que você pense e aja como hegemon, mas só consegue manter em operação o setor “pense”, o resultado é o que se chama dissonância cognitiva. Se o seu negócio é abusar de nações e pessoas pelo mundo, mas as nações e pessoas não mais se deixam abusar, o seu negócio vira piada. E você, doido varrido, doido de amarrar.
A doideira resultante produziu recentemente um interessante sintoma: vários office-boys servidores do Departamento de Estado (diplomatas e outros) assinaram uma carta – imediatamente vazada – exigindo imediata campanha de bombardeio contra a Síria, para derrubar Bashar Assad. Di-plo-ma-tas. Diplomacia é a arte de falar e, pelas palavras, evitar guerras. Diplomatas que ‘exigem’ guerra não agem lá muito… diplomaticamente. Pode-se argumentar que são diplomatas incompetentes, mas não basta, porque não são só incompetentes (incontáveis diplomatas competentes deixaram o serviço diplomático durante o segundo governo Bush, quase todos desgostosos por ter de mentir incansavelmente sobre os motivos para a invasão dos EUA ao Iraque e aquela guerra). Os que assinaram a tal carta são belicistas doentios, pervertidos nada diplomáticos. É tamanho o poder daquela palavrinha russa, que aqueles supostos diplomatas enlouqueceram completamente.
Mas seria injusto destacar só o Departamento de Estado. É como se todo o corpo político norte-americano estivesse infectado por emanações pútridas. O miasma tudo permeia e torna a vida uma desgraça, uma miséria. Apesar dos crescentes problemas, muitas outras coisas nos EUA permanecem ainda administráveis, de certo modo, mas essa tal coisa – o esgotamento da capacidade para abusar de todos em todo o mundo – arruína o resto.
É verão, meados do verão, e o país está na praia. A toalha de praia está comida de traças e esfarrapada; o guarda-sol tem buracos e varetas quebradas, os refrigerantes no isopor são envenenados com químicas imundas e a leitura de verão é só tédio… e logo ali, além do mais, há uma baleia morta que se decompõe ao sol e cujo nome é “Nyet.” Era o que faltava para arruinar, de vez, o meio ambiente!
Os troncos falantes da ‘mídia’ e políticos do establishment já estão dolorosamente cientes desse problema, e a reação deles, previsível, é culpar o que veem como fonte primeira de todos os males: a Rússia, convenientemente personificada por Putin.
“Quem não votar em Clinton, estará votando em Putin” – diz a mais recente sandice ‘de campanha’. Outra, diz que Trump seria agente de Putin. Qualquer figura pública que não assuma posição militante a favor do establishment é automaticamente declarada “idiota putinista útil”. Tomadas pelo valor manifesto, são bobagens, patetices, valem nada. Mas há uma explicação profunda para todas elas: o que as conecta entre si, todas essas imbecilidades, é o poder daquele “nyet.” Votar em Sanders é uma modalidade de voto- “nyet“: o establishment Democrata produziu uma candidata e mandou os eleitores votarem nela, e a maioria dos jovens norte-americanos responderam “nyet.” O mesmo aconteceu com Trump: o establishment Republicano empoderou os seus Sete Anões e mandou sua gente votar em qualquer deles. Outra vez, a maioria da classe trabalhadora branca norte-americana humilhada e assaltada disse “nyet” e votou na Branca de Neve outsider.
É sinal estimulante, que tanta gente no mundo dominado por Washington esteja descobrindo o poder do “nyet.” Oestablishment pode ainda parecer sólido, mas só pelo lado de fora. Por baixo da fina demão de tinta nova, o casco está podre, com água entrando por todas as frestas. Um “nyet” bem forte, que ecoe e vibre, com certeza fará rachar o casco, com o que se fará espaço para algumas mudanças muito necessárias. Quando acontecer, os norte-americanos lembrem, por favor, de agradecer à Rússia… ou… como tanto insistem, a Putin.*****
Advertisements

La visite de Porochenko à l’Elysée est une honte pour la République

Le Parti de Gauche, 22 Avril 2015

Djordje Kuzmanovic – Commission defense

Le président ukrainien, Porochenko, sera reçu aujourd’hui par François Hollande afin de demander son soutien contre la Russie.

Le président de la République aurait dû refuser cette rencontre. En effet, la France n’a pas à suivre aveuglément les intérêts bellicistes des Etats-Unis. Ensuite la patrie des droits de l’homme ne saurait dérouler le tapis rouge pour un régime aussi criminel et négationniste.

Monsieur François Hollande aura de nombreux sujets à évoquer avec Porochenko :

  • La condamnation par le centre Simon Wiensenthal de la dérive néo-nazie et révisionniste à Kiev;
  • L’épidémie d’assassinats, de “suicides” et “d’accidents” frappant les opposants au régime de Kiev;
  • La nomination de Dimitri Yarosh (leader de Secteur Droit, milice paramilitaire néo-nazie) comme conseiller spécial du chef d’état-major de l’armée ukrainienne;
  • Les ruptures violentes et répétées par les bataillons néo-nazis du cesser-le-feu négocié à Minsk.;
  • Les crimes d’Odessa et les lynchages quotidiens dans tout le pays par les forces obscurantistes proches du régime de Kiev;
  • Des opérations “anti-terroristes” du régime de Kiev qui ont causé la mort de 6000 civils, 20000 blessés et plus d’un million de réfugiés – dont 92% en Russie.
  • Le refus de l’Ukraine (avec les Etats-Unis et le Canada) de voter à l’ONU la condamnation de l’apologie du nazisme;
  • L’effondrement de l’économie ukrainienne et la déliquescence de l’Etat qui vont coûter 20 milliards d’euros par an à l’UE;
  • La prédation d’oligarques dont le niveau de corruption est sans égal dans la région selon les observateurs pourtant conciliants de l’UE et du FMI.

A l’aune de ces quelques points, le Président de la République française aurait mieux fait de méditer le fait que l’aventurisme militaire de l’OTAN en Ukraine menace la paix en Europe.

Mais pour cela, encore eut-il fallu avoir une vision géostratégique pour la France et relu la déclaration universelle des droits de l’homme.

https://www.lepartidegauche.fr/actualites/communique/la-visite-porochenko-l-elysee-est-une-honte-pour-la-republique-32128

Ukraine : Les Etats-Unis veulent la guerre… sur le sol européen

English translation:
https://freeukrainenow.org/2015/03/13/the-us-wants-war-on-european-soil/

Agora Vox, vendredi 6 mars
Boniface MUSAVULI

On ne devrait plus se bercer d’illusions sur les intentions des dirigeants américains : ils veulent la guerre. Une guerre qui doit se dérouler sur le Vieux Continent et qui doit entraîner le plus d’Européens possible dans une confrontation militaire avec la Russie. Les Ukrainiens, sauf un grand sursaut des masses populaires, devraient se résigner à voir leur pays servir durablement de champ de bataille à ce conflit des grandes puissances dont les enjeux leur échappent, depuis qu’ils ont perdu le contrôle des manifestations « Place Maïdan », un soir de février 2014.

De l’EuroMaïdan à l’escalade militaire

En tout cas, les derniers développements aux Etats-Unis ne sont guère rassurants. Un an après les manifestations de l’EuroMaïdan, odieusement dévoyées par « des atlantistes  », les États-Unis ont officialisé la décision d’envoyer en Ukraine quelques 600 parachutistes appartenant à la 173ème brigade aéroportée. L’annonce a été faite lundi dernier par le colonel Michael Foster, commandant de la brigade, et confirmée par Ben Hodges, haut commandant des forces américaines en Europe. Les premières unités combattantes de la brigade devraient se poser en Ukraine d’ici le 8 mars. Officiellement, pas pour combattre, mais pour former les troupes ukrainiennes (en débâcle dans le Donbass) au maniement des armes américaines en voie d’expédition[1].

Au sujet, justement, de l’expédition des armes américaines à Kiev, on sait qu’elle entraînerait réciproquement l’accroissement des moyens militaires des républiques autonomes de l’Est (Donetsk et Lougansk) par Moscou. Parce que, pour la Russie, il est hors de question que les forces des pays de l’OTAN se déploient jusque sur les frontières russo-ukrainiennes, et ils n’ont pas tort. Les Russes n’ont jamais digéré d’avoir été bernés par les Occidentaux en marge de la réunification allemande[2]. C’est pour essayer de contrer ce risque d’escalade militaire que la France et l’Allemagne ont décidé, début février dernier, d’entrer directement en contact avec Vladimir Poutine, sans consulter Washington. Il s’agissait de rassurer le chef du Kremlin sur le fait que Français et Allemands s’opposeront à l’envoi en Ukraine des armes américaines[3]. Le président russe s’est montré ouvert aux propositions franco-allemandes, et accepté les Accords de Minsk II[4] du 11 février 2015. Le hic avec Minsk II est qu’il y avait deux grands absents : les Britanniques et les Américains. N’étant pas liés par ces accords, ils vont continuer d’attiser le conflit.

Il faut vous entretuer pour l’Amérique

Dix jours seulement après la signature des Accords de Minsk, David Cameron annonçait l’envoi de soldats britanniques en Ukraine. Une semaine plus tard, John Sawers, l’ancien patron du MI16, (sorte de CIA britannique) affirmait que « la guerre contre la Russie ne fait que commencer »[5]. Avec l’envoi des unités de combat en Ukraine par les USA, les Britanniques sont ainsi rejoints par leurs cousins américains qui tiennent à ce que la situation continue de se dégrader et qu’elle finisse par dégénérer. Bien évidemment, les armées américaines et britanniques ne vont pas s’engager en première ligne contre l’armée russe. Ce déploiement atlantiste vise plutôt à entretenir durablement un climat de haine entre populations, un environnement de violence permanente et de désolation.

Une des stratégies utilisées par les fauteurs de troubles états-uniens contre les pays qu’ils ciblent consiste à frapper directement les populations soit par des violences aveugles, soit pas des embargos, soit pas des humiliations en mettant systématiquement ces drames collectifs sur le dos de l’« ennemi » qu’ils se sont choisi. Il ne faudrait pas s’étonner si les populations russes/russophones des pays frontaliers deviennent la cible des tueries aveugles et des famines provoquées volontairement, ce qui les amènera à demander de plus en plus l’aide de Moscou. Une aide que Poutine ne pourra pas durablement leur refuser, au risque de se mettre à dos les Russes de l’intérieur[6]. Sauf qu’en intervenant davantage en Ukraine ou, le moment venu, dans les pays baltes, le président russe deviendrait un « agresseur ». Exactement l’image que les médias occidentaux et les dirigeants d’outre-Atlantique s’emploient à lui coller à la peau. Dès lors, des forces européennes, plus ou moins officiellement, chemineraient vers les « pays agressés » par la Russie. Le début d’un engrenage meurtrier au cœur de l’Europe.

Face à ces agissements américains, on est tenté de dire : ils sont fous ces Américains ! Pas du tout. En réalité, les Etats-Unis, une puissance à bout de souffle, misent sur le conflit ukrainien pour entraîner le plus d’Européens possible dans une confrontation militaire avec la Russie[7]. Le pari est que, sauf usage d’armes stratégiques (scénario suicidaire), le sol américain devrait être préservé des ravages de cette guerre qui commence. Lorsque tout cela sera fini, Européens et Russes, quel que soit le camp qui l’aura emporté sur l’autre, seront ruinés économiquement, voire exsangues. Comme à l’issue de la Première et de la Seconde Guerre mondiale, il ne restera qu’une puissance d’ultime recours : les Etats-Unis d’Amérique.

Des milliards de dollars de contrats de reconstruction, une remise sous tutelle des nations européennes et la préservation, par l’Amérique, de son statut de « superpuissance planétaire ».


[2] Le 9 février 1990, James Baker, secrétaire d’Etat américain (de George Bush), avait assuré à Mikhaïl Gorbatchev que l’alliance occidentale n’étendrait “pas d’un pouce” son influence vers l’Est si Moscou acceptait que l’Allemagne réunifiée entre dans l’Otan. Le lendemain, 10 février, Hans-Dietrich Genscher, le ministre allemand des Affaires étrangères, refit cette promesse à Edouard Chevardnadze, son homologue russe : « l’Otan ne s’étendra pas à l’Est ». Mais depuis, la Pologne, la République Tchèque, la Hongrie, la Bulgarie, la Roumanie, la Slovaquie, la Lituanie, la Lettonie et l’Estonie ont adhéré à l’Otan. Avec les évènements de l’EuroMaïdan, l’enjeu était, entre autres, de faire également entrer l’Ukraine dans l’Otan. Cf. http://www.courrierinternational.co…

[3] C’est en tout cas ce qu’assure le journaliste italien Giulietto Chiesa : https://www.youtube.com/watch?v=1w6…

[4] Parce qu’il y a eu Minsk I, Protocole signé le 11 septembre 2014, et qui ne fut pas respecté.

[7] Provoquer un conflit brutal entre Européens et Russes permet aux Américains de se prémunir contre une éventuelle alliance stratégique entre Européens et Russes, alliance qui entraînerait de fait la fin de l’hégémonie américaine. Dans Le Grand échiquier de Zbigniew Brzezinski (1997), où il est question, entre autres, de « briser la Russie » en trois entités (une Russie européenne, une république de Sibérie et une république extrême-orientale), il est également question de cultiver la docilité des « sujets protégés » et d’empêcher les rivaux potentiels de former des alliances offensives. Un rapprochement stratégique entre la Russie et les nations européennes (sujets protégés) est ainsi un scénario que les tenants de l’hégémonie états-unienne n’admettraient en aucune manière.

http://mobile.agoravox.fr/tribune-libre/article/ukraine-les-etats-unis-veulent-la-164505