A veia terrorista de Barack Obama

English translation: https://freeukrainenow.org/2015/03/25/the-terrorist-vein-of-barack-obama/

Resistir.info
por José Goulão
13/Março/2015

Depois de ter herdado, de início com algum pudor e sob outras designações, a guerra contra o terrorismo inventada pelo seu antecessor, Barack Obama não se limita a igualar George W. Bush no recurso a práticas terroristas como, em alguns casos – e não apenas o do record mundial de execuções extra judiciais cometidas com drones – consegue ultrapassá-lo.

A situação mais flagrante, e que contribuiu para demonstrar como os Estados Unidos são governados por um partido único, porque em matéria de violações dos direitos humanos não há quem consiga distinguir um democrata de um republicano, é a da proliferação de ameaças, tentativas e execuções de golpes de Estado.

No reinado de Obama a série faz corar de inveja alguns dos mais empedernidos falcões que passaram pela Casa Branca: Honduras, Paraguai, Ucrânia, Macedónia, Egipto, Qatar, Síria, Líbia, Iraque, Mali, República Centro Africana e, como não podia deixar de ser, Venezuela.

O assunto venezuelano poderá ter passado quase despercebido. Foi escondido para com isso se tentar abadar o fracasso da intentona, ou então explicado ao contrário através dos mecanismos censórios doutrinários que caricaturam o papel da comunicação social.

O golpe esteve marcado para 12 de Fevereiro, tentando reeditar a tragédia chilena de 1973, mas as autoridades venezuelanas anteciparam-se e puseram a nu um contexto através do qual se prova que em Washington não se olha a princípios nem a meios para alcançar os fins pretendidos, sempre apresentados, como é de bom-tom, como a instauração da democracia onde supostamente ela não existe.

Nesse dia 12 de Fevereiro, no quadro da chamada “Operação Jericó”, um bombardeiro Tucano ENB 312, já anteriormente envolvido num atentado contra dirigentes das FARC colombianas, deveria ter bombardeado o palácio presidencial de Caracas, a Assembleia Nacional, instalações da ALBA e a televisão TeleSur para instaurar um “governo de transição” a entregar a reconhecidos fascistas como António Ledezma, significativamente conhecido como “o vampiro”, Maria Corina Machado e Leopoldo Lopez. O avião, pintado com as cores da aviação venezuelana, pertence a um bando de mercenários integrado na máfia mundial dos exércitos privados e empresas de segurança que dá pelo nome de Academi e outrora se chamou Blackwater – de que todos já ouviram falar como um dos mais activos braços terroristas na invasão do Iraque. Empresa onde pontificam um ex-patrão da NSA (Agência Nacional de Segurança) e o ex-procurador geral da Administração Bush.

A trama da intentona conduz ao quartel-general de operações em Bogotá e ao comandante da operação, Ricardo Zuñiga, assessor de Barack Obama para a América Latina e também, porque quem sai aos seus não degenera, neto do presidente do Partido Nacional das Honduras que organizou os golpes fascistas de 1963 e 1972. Acresce que Washington recorreu a outsorcing para montar a operação, atribuindo ao Canadá a gestão dos aeroportos civis a utilizar, ao Reino Unido a propaganda e ao Mossad israelita as eliminações físicas consideradas necessárias. Ledezma, o “vampiro”, viajara recentemente a Israel, onde foi recebido afectuosamente por Netanyahu, Lieberman & Cia.

Como o golpe falhou e foi desmascarado, em 9 de Março Barack Obama accionou o estatuto que lhe permite declarar a Venezuela “uma ameaça contra a segurança nacional” dos Estados Unidos, previsto para os casos em que exista “uma extraordinária e invulgar ameaça à segurança nacional e à política externa, situação que deve ser tratada como uma emergência nacional”. Isto é, Barack Obama instaurou a estratégia terrorista de golpe de Estado permanente contra a Venezuela, alegando a corrupção dos dirigentes de Caracas e a violação dos preceitos democráticos.

Ironia do destino, um dos escolhidos para o tal “governo de transição”, o supracitado “vampiro” Ledezma, em tempos autor do “Caracazo”, massacre de centenas de estudantes que protestavam contra a austeridade, é o governador da região de Caracas, eleito através dos mecanismos de um regime que ele próprio e os seus tutores não consideram democrático.

Eis como Obama em nada se distingue dos mais tenebrosos falcões que passaram pela Casa Branca. Anote-se, por ser verdade, que na Venezuela, na Ucrânia, na Macedónia e onde quer que tal lhe convenha, o presidente dos Estados Unidos não tem qualquer pudor em recorrer a dirigentes e grupos de assalto nazi-fascistas desde que seja, ele o diz, para instaurar a democracia.

[*] Jornalista.

O original encontra-se em jardimdasdelicias.blogs.sapo.pt/a-veia-terrorista-de-barack-obama-748181

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
http://www.resistir.info/venezuela/goulao_13mar15.html     

The terrorist vein of Barack Obama

Vein: a distinctive quality, style, or tendency.

synonyms: mood, frame of mind, temper, disposition, attitude, tenor, tone, key, spirit, character, fashion, feel, flavor, quality, atmosphere, humor, manner, mode, way, style

From resistir.info
By José Goulão
March 13, 2015
Rough translation of original article in Portuguese

Once you have inherited, at first with some modesty and under other names, the war against terrorism invented by his predecessor, Barack Obama is not limited to match George W. Bush in the use of practices of terrorism as in some cases – not just the world record of extrajudicial killings with drones – he can surpass it.

The most egregious situation, and contributing to demonstrate how the United States is governed by a single party, because in matters of human rights violations no one can distinguish a Democrat from a Republican, is the proliferation of threats, attempts and execution of coups d’etat.

In the reign of Obama the series makes blush with envy some of the most hardened hawks that passed in the White House: Honduras, Paraguay, Ukraine, Macedonia, Egypt, Qatar, Syria, Libya, Iraq, Mali, Central African Republic and, it could not be, Venezuela.

The subject Venezuelan may have passed almost unnoticed. It was hidden for with this if you try abadar the failure of the putsch, or explained to the contrary by the doctrinal censorial mechanisms that caricature the role of the media.

The coup was scheduled for February 12, trying to re-edit the Chilean tragedy of 1973 but the Venezuelan authorities anticipated up and laid bare a context through which it proves that Washington does not look at the beginning nor the means to achieve the purposes intended, always presented, as good manners, as the establishment of democracy which supposedly does not exist.

On this day February 12, as part of “Operation Jericho,” a Tucano ENB 312 bomber, already involved in an attack against the Colombian FARC leaders, should have bombed the presidential palace in Caracas, the National Assembly, ALBA facilities and the Telesur television to establish a “transitional government” to deliver the fascists recognized as Antonio Ledezma, significantly known as the “vampire”, Maria Corina Machado and Leopoldo Lopez. The plane, painted with the colors of the Venezuelan aviation, belongs to an integrated band of mercenaries in the world mafia of private armies and security companies by the name of Academi and once was called Blackwater – that everyone has heard one of the most active terrorist arms in the invasion of Iraq. Company where pontificate a former boss of the NSA (National Security Agency) and the former attorney general of the Bush administration.

The plot of the putsch leads to the headquarters operations in Bogota and the operation commander, Ricardo Zuñiga, an adviser to Barack Obama for Latin America and also because those who leave with their non-degenerate, president of the grandson of the Honduras National Party that organized the fascist coups of 1963 and 1972. Moreover, Washington resorted to outsourcing to mount the operation, giving Canada the management of civil airports to use, the UK advertising and the Israeli Mossad physical deletions deemed necessary. Ledezma, “vampire”, recently traveled to Israel, where he was received warmly by Netanyahu, Lieberman & Cia.

As the coup failed and was exposed, on 9 March Barack Obama triggered the statute that allows you to declare Venezuela a “threat to national security” of the United States, provided for cases where there is “an extraordinary and unusual security threat national and foreign policy, a situation that should be treated as a national emergency.” That is, Barack Obama brought the terrorist strategy of permanent coup against Venezuela, claiming the corruption of leaders of Caracas and the violation of democratic principles.

Ironically, one of the chosen for such a “transitional government”, the aforementioned “vampire” Ledezma in time author of the “Caracazo” massacre of hundreds of students protesting against austerity, is the governor of the region of Caracas, elected through the mechanisms of a system that he and his tutors do not consider democratic.   Here’s how Obama is no different of the darkest hawks passed by the White House. Record yourself, to be true, that in Venezuela, Ukraine, Macedonia and wherever such suits him, the US president has no qualms about resorting to leaders and Nazi-fascist assault groups provided that, he says, it is to introduce democracy.

 

Original source: jardimdasdelicias.blogs.sapo.pt/a-veia-terrorista-de-barack-obama-748181

http://www.resistir.info/venezuela/goulao_13mar15.html